“Evacuar” é um verbo que tem vários usos, e todos estão ligados à ideia de “sair”. Contudo, é necessário tomar cuidado ao construir frases com ele. “Evacuar um shopping”, por exemplo, é desocupá-lo, deixando-o vazio, fazer que todas as pessoas saiam dele. Podemos, então, construir a seguinte frase: “Ao ouvirem o alarme, evacuaram o shopping”.
Em outra construção, podemos dizer: “Os policiais evacuaram as pessoas”. Dá para perceber que o sentido é parecido, mas, agora, é específico de “remover”.
No sentido figurado, pode aparecer como se fosse “despejar”: “O próprio anfitrião evacuou os penetras (da festa)” (v. “Aulete”).
Como verbo intransitivo (sem complemento), porém, “evacuar” tem sentido bastante restrito. Significa “expelir fezes”, “defecar”. Analisemos, agora, o seguinte trecho:
“No Brasil, muita gente mora em áreas de risco e o governo não tem programas para atender as vítimas, nem para fazer avisos via rádio nem para ajudar a população a evacuar, se necessário.”
Para evitar o sentido indesejado, bastaria dar ao verbo um complemento. Veja, abaixo, uma sugestão:
“No Brasil, muita gente mora em áreas de risco e o governo não tem programas para atender as vítimas, nem para fazer avisos via rádio nem para ajudar a população a evacuar áreas perigosas, se necessário.”
sábado, 22 de janeiro de 2011
Usar mal ou fazer mau uso?
Imaginemos um estudante que começa sua redação com a seguinte frase:
"O principal problema das grandes cidades brasileiras é o caos na urbanização e o mal uso dos recursos públicos".
Aparentemente está tudo bem com a oração. Entretanto, é mais comum o equívoco numa expressão como “mau uso” do que numa expressão como “mau aluno”. O problema está no fato de “uso” ser um substantivo abstrato (vem do verbo “usar”) e “aluno” ser um substantivo concreto.
A explicação aparece quando empregamos o verbo ou o substantivo. Se empregarmos o verbo: “Ela usa mal”, (temos o advérbio, contrário de “bem”), mas, ao empregarmos o substantivo: “Ela fez mau uso”, (temos o adjetivo: contrário de “bom”). A confusão entre usar mal e fazer mau uso deve ser o responsável por esse erro, ainda tão frequente. Continua valendo a antiga lição: mau/bom, mal/bem.
E não devemos esquecer que “mal” também pode ser substantivo, como no exemplo: “a luta do bem contra o mal” e até conjunção subordinativa temporal, em: “mal entrou na sala, viu aquilo”, indicando momento exato.
Vejamos agora a correção do texto:
"O principal problema das grandes cidades brasileiras é o caos na urbanização e o mau uso dos recursos públicos".
"O principal problema das grandes cidades brasileiras é o caos na urbanização e o mal uso dos recursos públicos".
Aparentemente está tudo bem com a oração. Entretanto, é mais comum o equívoco numa expressão como “mau uso” do que numa expressão como “mau aluno”. O problema está no fato de “uso” ser um substantivo abstrato (vem do verbo “usar”) e “aluno” ser um substantivo concreto.
A explicação aparece quando empregamos o verbo ou o substantivo. Se empregarmos o verbo: “Ela usa mal”, (temos o advérbio, contrário de “bem”), mas, ao empregarmos o substantivo: “Ela fez mau uso”, (temos o adjetivo: contrário de “bom”). A confusão entre usar mal e fazer mau uso deve ser o responsável por esse erro, ainda tão frequente. Continua valendo a antiga lição: mau/bom, mal/bem.
E não devemos esquecer que “mal” também pode ser substantivo, como no exemplo: “a luta do bem contra o mal” e até conjunção subordinativa temporal, em: “mal entrou na sala, viu aquilo”, indicando momento exato.
Vejamos agora a correção do texto:
"O principal problema das grandes cidades brasileiras é o caos na urbanização e o mau uso dos recursos públicos".
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